sábado, 6 de dezembro de 2014


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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Interpretação Bíblica (Parte do Relatório)

Para a compreensão de qualquer texto bíblico devemos procurar a etimologia das palavras e seu real sentido. "Os textos bíblicos são expressões da revelação divina à humanidade em situações históricas concretas e definidas. Por estarem distantes de nós como intérpretes, estes carecem de estudo e aprofundamento especiais, para que possam ser devidamente entendidos. Por isso, quanto mais o exegeta assimilar o método histórico-crítico de interpretação, tanto mais apto estará para fazer do exercício de sua própria interpretação uma preocupação constante com a gênese histórica e contextual dos textos, evitando a prática prejudicial de extrair sentido de textos de forma seletiva e arbitrária, sem consideração do processo de formação a partir do qual o sentido foi inicialmente formulado e aplicado." (SULLIVAN /JUNGES) Por isso, cremos que desde os tempos antigos era preciso uma pesquisa para compreender a bíblia com exatidão sem alterar seu texto, vemos isso em Neemias oito, quando Esdras e os Levitas, explicam a bíblia ao povo, obra que só poderia ser feita por pessoas que entendiam a quem foi escrito, para quem foi escrito e o real sentido ali e depois sim aplica-la aos dias de hoje. “E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.” (Neemias 8:8) Os levitas, citados acima, eram pessoas designadas a cuidar do templo e das coisas relacionadas a Deus, eram eles que tinham a sabedoria e o entendimento de explicar os escritos bíblicos, de um modo que fosse de fácil compreensão de quem recebesse essas palavras. Não sabemos ao certo qual era o método utilizado da época para explicar os textos bíblicos, porém temos o intuito de mostrar que há vários métodos de interpretar a bíblia e suas diferenças, reforçando o ponto de vista que o melhor método é o histórico-crítico. Nos dias de hoje vemos dois tipos de interpretação nas igrejas, a interpretação fundamentalista e a interpretação histórico crítico, por nós escolhida. 42 10.1.1 - Interpretação histórico-crítica A interpretação, histórico-crítica, tem alguns conceitos da interpretação histórica gramatical criada através dos reformadores Santo Agostinho, Martin Lutero e sistematizada por João Calvino. O sistema histórico-gramatical consistia em procurar a etimologia da palavra original da bíblia e contextualiza-la dentro do tempo bíblico. No século 19, se inicia a crise literária, onde os teólogos dizem que o método histórico gramatical não daria conta da interpretação da bíblia e que era necessário unir esta técnica a outras ciências como história, antropologia, filosofia, psicologia e outras. Com tudo isso, cria-se o que chamamos hoje de meio histórico-crítico de análise das escrituras. Este método tem o objetivo de descontruir os textos a fim de entender de onde este texto vem e o que ele tem a quer dizer. 43 10.1.1.1 - Exegese A Exegese foi criada com o alvo primário da elucidação dos princípios próprios da bíblia, ou em outras palavras, a explicação dos textos bíblicos contextualizados nos dias de hoje sem perder o seu contexto e a sua mensagem original. 44 10.1.1.1.1 - História como contexto Um dos itens da exegese é avaliar a história, e acho válido o comentário que Gordon D. Fee deixa no seu livro sobre o tema: “A história como contexto da interpretação não se refere à nossa própria história, mas ao contexto original dos próprios textos bíblicos. A tarefa da interpretação é nada menos do que lidar o abismo histórico – e, portanto cultural – entre eles e nós.” Muitos leem a bíblia de modo ideológico, ou seja, leem a bíblia como se ela fosse escrita em seu tempo, como se aquela historia lhe pertencesse como autor. E não voltam ao tempo escrito pesquisando através da historia e muitas vezes dentro da própria bíblia. Temos vários exemplos de contexto histórico que é usado pelos fundamentalistas Ouvi a pregação de um famoso pastor fundamentalista respondendo a um espirita que é errado oferecer a Deus (ou aos santos) bebidas. Ser sincero, quem nunca ouviu a famosa frase “esse é para o Santo”, porém se lemos de um modo literal encontraremos na bíblia Jacó (Israel) ofertando bebida a Deus. Porém naquela época era de costume oferecer bebida. Agora ressalto, se o pastor Fundamentalista criticou isso e disse que devia ser estudado o contexto para aplicação, porque o mesmo não é feito com os outros textos? Em Genesis 38, vemos a história dos filhos de Judá Er e Onã. Er perde sua vida e pelo costume, Onã, deve assumir a mulher de seu irmão, porém todos filhos que tiver com ela, será da descendência deu seu irmão. Onã nega-se a ejacular dentro dela e por isso morre. Este texto é usado para criticar a masturbação, mas não é sobre isso que gostaria de falar inicialmente e sim sobre um homem ter relações sexuais com a sua cunhada, isso deve ser aplicado hoje em dia? Creio que não precisamos responder. Qual dos dois atos, desperdiçar o sêmen, fazendo com que ele não tenha fim reprodutivo ou manter relações sexuais com sua cunhada, nós consideramos mais absurdos hoje em dia? No contexto histórico era digno de morte quem desperdiçasse o sêmen, pois acreditava que o sêmen era uma vida, não tinha todo o entendimento que temos hoje, mas a relação entre familiares era normal. Por isso, devemos sim, aplicar o contexto histórico para todos os textos. 45 10.1.1.1.2 - Etimologia das Palavras Creio ser um dos principais itens da Exegese, pois muitos esquecem a que línguas a bíblia foi escrita e querem levar uma verdade do que leem e as vezes, a bíblia, pode conter erro de interpretação. Muitos podem argumentar que estamos errados, por isso iremos provar com duas versões em português da bíblia que o mesmo texto tem sentido diferente, no caso, iremos usar o versículo de I Coríntios 7:21 e na versão NVI diz: “Foi você chamado sendo escravo? Não se incomode com isso. Mas, se você puder conseguir a liberdade, consiga-a.” Mas na versão NT a ideia passada é oposta. “Mas ainda se você conseguir a sua liberdade, aproveite ao máximo a sua condição presente.” Outro exemplo, Paulo em I Coríntios 1:20 desafia retoricamente o rabino judaico, o perito da lei judaica. “Onde está o escriba?” (ARA) Escriba na antiguidade era a pessoa encarregada de escrever. “Onde está o erudito?” (NVI) Erudito seria como um historiador. “Onde está o perito na lei?” (Léxico de Bauer) Para concluir gostaria de deixar um texto clássico: “Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus 19:23-24) 46 Ao lermos este texto de modo literal, na nossa língua, sem compreender o sentido da palavra agulha ou seu sentido na história (item acima), iremos acreditar que é impossível um rico entrar no céu, pois é impossível um camelo passar dentro do buraco de uma agulha de costura. Mas, procurando a etimologia e o tempo que foi escrito entendemos que umas das portas da cidade chamava-se Agulha. Essas portas eram baixar e durante a noite somente elas se encontravam abertas, então para passar com o camelo pelo “buraco da agulha”, ou seja, pela entrada da cidade, teria que fazer com que o animal (muito utilizado na época e na região), se prostrasse para entrar. Então o que Jesus realmente quer dizer que para o rico chegar ao céu, ele tem que se prostrar a Deus e não se vangloriar de tudo que tem, ele tem que ter a humildade de perceber a grandeza de Deus em abençoá-lo com a riqueza. Se aplicarmos isso a um texto para explicar que o rico irá aos céus, coisa que os fundamentalistas fazem mesmo com sua teoria que tudo deve ser lido ao pé da letra, deveram aplicar nos demais textos. 47 10.1.1.1.3 - Gênero Literário Como os componentes da exegese são contexto e conteúdo, devemos avaliar a qual gênero literário tal texto pertence. Infelizmente a bíblia foi separada por versículos, o que leva a crer, que cada versículo pode existir sozinho e esquecendo o anterior para o seu contexto e dificultando a identificação do gênero literário. “Sabemos que há muita diferença entre um texto poético e uma prova, entre um texto narrativo e um imperativo, um apocalíptico e um apostemo, entre um hino direcionado a Deus e uma profecia dirigida ao povo.” (Entendes o que lês? Edição Vida Nova) Por isso, devemos entender a qual gênero pertence o texto. Para concluir deixaremos um exemplo prático. Narrativa (Leitura Literal) “Foi colocada na cabeça do rei uma coroa cintilante de joias." Figurativo (Um pai bravo com o filho) “Na próxima vez que me chamar de coroa você vai ver as estrelas ao meio dia." Simbólico “Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12:1) Na simbólica representa a nação de Israel e as doze estrelas são as doze tribos, a lua representa a revelação do Antigo testamento, e o sol e a lua do novo testamento. Agora tente ler, o texto figurativo e o simbólico de modo literal, você mudará o sentido. Se nestes textos aplicamos isso, o mesmo deve ser feito com qualquer texto. 48 10.1.1.1.4 - Conclusão A exegese tem vários princípios, mas mostramos o que cremos serem os três mais importantes. Então para relembrar, ao estudar um texto devemos ver o tempo que foi escrito para entendemos quem era o autor e a quem ele quis dizer, um exemplo, é Coríntios, se trata de uma carta destinada a cidade de Corinto, ou seja, para compreender o texto precisamos saber o que acontecia na cidade e o que Paulo tinha a dizer a eles. Segundo a etimologia da palavra, entendermos seu significado real, exemplo, a palavra Selo é encontrada na bíblia como selo de fechar uma carta e também como beijo, então precisamos entender seu real sentindo no texto. Gênero literário é importante, segundo os maiores teólogos Gênesis apesar de ser um livro que conta a história do inicio do mundo, ele é figurativo muitas vezes, primeiro porque não foi escrito no tempo no qual as histórias ocorreram, foi escritos anos após por Moisés e segundo por simplificar alguns dados que a ciência comprova como verdadeira a bíblia como a criação do mundo em sete dias, sendo que a própria bíblia diz que um dia para Deus é como mil anos, a história de Noé e o dilúvio, comprovado com algumas diferenças dos escritos originais recentemente pela BBC em um documentário. Usando essas três regras conseguirão entender sobre o que o texto se trata, a quem se trata e qual a mensagem que devemos retirar dela.